A microcirurgia na cirurgia da mão e reconstrutiva de membros

Se observarmos a história da humanidade, vamos concluir que no último século houve um crescimento tecnológico nunca antes visto. A velocidade de informação veio acompanhada da velocidade de locomoção. As guerras modernas a violência nas grandes cidades, dispõem de armas com poder de destruição cada vez maior. Ou seja, os traumas dos nossos dias têm em comum a alta energia envolvida. Na medicina o reflexo é perceptível na complexidade das lesões traumáticas, especificamente na área de ortopedia e traumatologia as fraturas tendem a serem mais graves, muitas vezes acompanhadas de perda do revestimento cutâneo, de lesões musculares e nervosas associadas. Hoje, o tratamento de lesões traumáticas complexas requer não só a visão ortopédica como também a abordagem de reparação das partes moles envolvidas. Se por um lado temos este quadro por outro a tecnologia possibilitou o surgimento de novas técnicas cirúrgicas, como o da microcirurgia, a qual possibilita a realização de procedimentos antes inimagináveis.

A costura ou sutura é uma técnica antiga pela quais duas estruturas são conectadas através de um fio. Agora imagine uma sutura realizada com fio mais fino que um fio de cabelo, com uma agulha de proporção milimétrica e uma estrutura a ser suturada de dimensão da ordem de 0,6 mm. Pois bem isto só se tornou possível graças a microcirurgia. Através da magnificação de imagem utilizando um microscópio e instrumental próprio, esta técnica teve seu “boom” na década de 70 quando foram apresentados os primeiros casos de sucesso das cirurgias de reimplantes de membros e transferência de segmentos corpóreos, que necessitavam da sutura de vasos e nervos milimétricos.

Hoje a microcirurgia é uma técnica com uma área de atuação bem definida em várias especialidades médicas, em especial a cirurgia da mão e microcirurgia.
A possibilidade de levar sangue através da sutura vascular para estruturas do corpo humano permite o sucesso da cirurgia de reimplante de membros, que uma vez amputados necessitam da reconstrução de todas as estruturas lesadas, principalmente os pequenos vasos como no caso das amputações de dedos. Mas o campo da microcirurgia expandiu-se para os casos de pacientes que apresentam perdas ósseas extensas, perda cutânea com exposição de estruturas nobres ou mesmo perda de segmentos corpóreos que hoje podem ser tratados com a reconstrução óssea com transplantes ósseos vascularizados, segmentos cutâneos vascularizados ou mesmo a transposição de dedo do pé para mão para a reconstrução do polegar.

No campo dos nervos periféricos e das lesões do plexo braquial, a microcirurgia representou uma melhora contundente nos resultados obtidos nas suturas e reconstruções nervosas, o que tem permitido o retorno funcional de lesões outrora sem qualquer perspectiva de melhora.

A técnica microcirúrgica segue até os nossos dias com inúmeros procedimentos sendo descritos aumentando ainda mais a gama de possibilidades do tratamento de lesões traumáticas complexas dos membros e nervos periféricos.

Patologias tratadas pelo cirurgião de mão com microcirurgia

  • Lesão do Plexo Braquial e Paralisia Obstétrica;
  • Reimplantes de membros;
  • Cobertura cutânea do membro superior e inferior pós-traumática (retalhos);
  • Perdas extensas do revestimento cutâneo com exposição de articulação, nervo, tendão e osso;
  • Transplantes musculares livres;
  • Enxerto nervoso;
  • Perdas ósseas extensas;
  • Enxertos ósseos vascularizados;
  • Lesão de nervos periféricos (tumores, neuroma, perdas extensas).
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